Para uma ala crescente de jovens negros altivos tudo isto pertence ao passado. Eles lançam a sua declaração: "nenhum Cristo branco nos envergonhará novamente. Somos felizes de sermos negros. Alegramo-nos com a cor negra de nossa pele, festejamos a textura de nosso cabelo, exaltamos o ritmo e o vigor de nossas musicas, de nossos gritos e de nossas danças. Se. o Cristo branco de vocês não se parece com o nosso, vocês sabem o que devem fazer com ele".
Isso é o Poder Negro: repúdio da religião-cultura americana que ajudou a criá-lo e a busca de realidade religiosa mais fiel à nossa experiencia.
Estes jovens dizem à América: " Conhecemos o seu Cristo e sabemos qual é a sua atitude para com a Africa. lembramo-nos como seus missionarios brancos preveniam contra o paganismo e a ignorancia da Africa, contra sua selvageria e contra o nudismo do coração do jângal. Estamos cansados de tudo isso. Esta África que você ama e odeia, mas sobretudo teme- esta é a nossa pátria. Vimos você trocar suas biblias pela nossa terra. Observamos você passar seus folhetos e levar o nosso ouro. Ouvimos vove nos ensinar hinos para pegar nossos diamante, e você ainda agora os controla. Se isto é o que o seu Cristo ensinou a você, ele é esperto, criança, ele é vivo, mas não é o nosso salvador! Temos orgulho de nossa pátria, de seu grande passado negro, passado que era cheio de maravilhas antes que nela penetrasse o seu açoite branco. Você pode ficar com o seu Cristo. Nós assumimos a nossa patria". Isto é o Poder Negro: uma busca de raizes numa terra que nos negou tanto um passado com um futuro. E o Cristo americano que abençoou o desprezo não merece nada mais que o repúdio.
Os advogados do Poder Negro conhecem bem este Cristo. Eles vêem o seu povo correndo sem fôlego, amaldiçoando em silencio, saindo com passo acelerado das cidades com o seu povo sofredor. Eles vêem esta multidão branca fugindo do movimento asfixiado dos negros saídos dos guetos, deixando atrás de si seus mausoléus de luxuosos vitrais. O próprio êxodo dos cristãos afastando-se dos lugares onde vivem os pobres e os que não tem nenhum poder foi uma das forças principais que deram origem ao Poder Negro.
Os que buscam o Poder Negro, vendo os mais pobres e miseraveis de sua raça, abandonados pelos cristãos brancos americanos, optaram por ficar com os abandonados nos próprios locais em que eles estão abandonados. Agora eles falam de unidade Negra e os antigos edificios cristão estão cheios de negros, jovens e adultos, que estudam a historia africana. Os lideres nos guetos lhes dizem: "Os brancos agora falam em juntar as forças, mas quem é que alguma vez quis juntar forças com vocês? Eles querem somente usar vocês- especilamente aqueles cristãos americanos brancos mentirosos. Eles amam vocês só teoricamente. Eles amam somente as suas encarnações da classe média. Mas eles têm medo de vocês - que são negros e pobres e estão cheios de raiva e de desespero. Eles falam de 'proguesso' para os negros, mas não se referem a vocês"
Estes jovens, cujos nomes nós, velhos "crentes verdadeiros" repetimos em nossas ladainhas noturnas de ira frustrada, escutaram com a percepção nascida da alienação os cristãos brancos aos negros de "nosso povo e o povo de vocês, de nossas igrejas e das igrejas de vocês, de nossas escolas e das escolas de voês". E eles ouvem esta hipocrisia coroada com as seguintes palavras que saem de corações cristãos sangrando: "Naturalmente alguns dos membros de sua gente, os mais espirituais ( e quietos), podem frequentar nossas igrejas e os mais ricos ( e mais limpos) de sua gente podem entrar em nossas comunidades, e os filhos de vocês, os mais espertos, podem frequentar nossas escolas. Mas não se esqueçam nunca: esperamos que vocês entoem hinos regulares de gratidão pela nossa condescendência. Lembrem-se sempre de que o povo, as comunidades, as escolas e as igrejas, são ainda nossas e não de vocês". E não se esquecem de acrescentar: "Mas naturalmente todos nós amamos o mesmo Cristo"
Dr. Vincent Harding
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
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